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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Embora ainda falte uma cirurgia estou dando uma passadinha nos blogs para matar as saudade, só que não tenho nenhuma pintura para enfeitar a pagina.
Mas fica aqui meu agradecimento pelos votos de boa sorte, está tudo bem por enquanto.
Espero voltar definitivamente em breve.
Grande abraço a todos.
Léah

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Até breve

Queridos amigos, vou ficar um tempo afastada do blog por motivo de tratamento de saúde, uma cirurgia, que requer descanso e cuidado.
Quando puder voltarei, embora a saudade já esteja presente. Obrigada por todo o carinho recebido até hoje.
Grande abraço bem apertadinho em todos.
Léah


terça-feira, 15 de agosto de 2017

LIBERDADE

óleo sobre tela 25x20 vidraça e flores

Depois de cinco dias de passeio numa pousada na serra de Petrópolis, cheguei ansiosa para curtir minha casa, com saudades, louca por um banho quentinho e um cafezinho, descansar da viagem, colocar a mente na vida doméstica do meu cantinho, mas parece que existe alguma câmara oculta que vê quando quero paz, e aconchego de minha casa sem interferências, mas que nada, o telefone berra a campainha toca, o interfone interfere.
Há umas semanas atrás, fomos na primeira reunião de condomínio, marido e eu , como somos os moradores  mais recentes, fomos devidamente apresentado aos vizinhos pelo síndico, perguntaram nossas profissões, e todos também se apresentaram a nós nestes termos, achei simpático e sui generis, e quando falei que era artista plástica, ouvi um comentário, vindo da plateia “—Que ótimo, bem a calhar”!! Isto me espantou, não entendi, mas deixei pra lá, de repente, nem era comigo. A reunião correu calma e agradável, para nós que já moramos em treze lugares antes deste, foi surpreendente numa reunião de condomínio, não haver nem uma briguinha!
Durante o mês fui encontrando aqui ou ali um ou outro vizinho quando saia de casa, e sempre agradáveis, e passaram a me chamar de artista ao invés de Léah, sinceramente prefiro ser chamada pelo meu nome de batismo, afinal veio antes de eu ser pintora ou seja lá o que eu viesse a ser, mas como sou educada engoli a pílula.
Hoje quando saí do meu banho quentinho, relaxei da viagem e sentei na copa com minha filha para contar as novidades, pronto, bateram em minha porta o sindico e sua esposa, meu marido os atendeu, perguntaram se estavam incomodando, caso contrário se poderíamos dispensar uns minutos de nossa atenção.
Outra vez a educação pulou na nossa frente e juntei-me a eles, pedi a Jandira, minha ajudante, que trouxesse um cafezinho, apreciaram os meus quadros nas paredes, conversa vai,  conversa vem, elogios e finalmente ao assunto a que vieram.
 Disseram que há muito gostariam de organizar uma terapia ocupacional que fosse divertida e proveitosa,  no salão de festas do condomínio, já  que este ficava muito sem função, pois a maioria dos moradores era de pessoas  já aposentadas, cujos filhos já casados em suas próprias moradias longe dali e etc... sinceramente parecia que eles  estavam falando de um lar para idosos JJ, assim mesmo deixei o assunto correr solto,  finalmente e meio impositivamente estavam me propondo dar aulas de pintura ou artesanato para  quem quisesse, garantindo que todos gostariam muito, inclusive eles, e contavam comigo, para incrementar o lugar, queriam a resposta, pois estavam ansiosos,  de  maneira  sutil diziam que a proposta era irrecusável, afinal eles eram tão gentis e era uma oferta sensacional!! 
O olhar que meu marido me enviava era de desespero, achou que eu ia responder que sim, e apesar disso não interferiu, às vezes ele esquece de quem sou, nunca diria sim a essa proposta cheia de imposições veladas, me fazendo ver que era irrecusável e imperdível!!! Para eles talvez, não para mim. 
Fiquei de pensar, na verdade essa foi a resposta educada. Há um tempo atrás dei aula de pintura e artesanato para mulheres de uma comunidade, sem fins lucrativos, por opção, isto antes de me aposentar das aulas que dava no Liceu de Artes, como profissão e salário, gostei das duas situações, mas em nenhuma delas existiam vizinhos envolvidos, acho complicado, vizinhos são vizinhos, e não acredito em papai-noel, ou no paraíso na terra.
Além do que meu marido, que vinha trabalhando em casa desde que se aposentou, deu um basta e quer curtir a vida sem compromissos, podermos programar passeios sem dia para voltarmos, como este na serra, ou em alguma praia, liberdade é a palavra de ordem.
Assim a resposta será, obrigada pelo convite, mas  não posso aceitar.

FIM                                                                                                  Léah

sábado, 5 de agosto de 2017

O MAR E eu

óleo sobre tela 40x20  "mar da Barra da Tijuca ao amanhecer"
Como comparar toda aquela beleza que era ver o sol despontar fazendo as aguas do mar se tingirem pouco a pouco, primeiro ficavam vermelhas, iam amarelando como ondas de ouro, até o verde aparecer lentamente com rendas de espumas brancas   indo e vindo beijar a areia, ali era o refúgio, era a calma, era a beleza. Era ali que todas as manhãs de sol eu buscava a paz, e via o poder da natureza, quando na rebentação o estrondo da onda contra a pedra mostrava sua força.
O mesmo mar que encanta e surpreende com sua beleza, também amedronta e nos leva a morte.
Há um tempo atrás aprendi a nadar numa grande piscina de um clube, mudamos de casa e então só nas férias quando íamos para a região dos lagos numa lagoa de aguas salgadas e muito mansa. Ali a natação era apenas diversão e exercício para o folego. Quando finalmente entre tantas mudanças de residência, fomos para um bairro banhado pelo mar aberto, com ondas fortes, veio a insegurança, o medo.
 
 Quando tomei coragem enfrentei o mar, afinal eu sabia nadar era só uma questão de tentar, de não me acovardar.  Então criei coragem e fui, aí  me senti especial, forte e fraca, corajosa e amedrontada, todos os sentimentos vinham juntos a cada braçada, passou a ser rotina nadar, e sem perceber  tudo, todos os medos  ficaram para trás e me achei poderosa, impossível de ser vencida por ele, o mar,  afinal eu sabia nadar! Mas a vaidade é veneno! Aí veio a resposta de quem realmente mandava ali, e uma onda enorme bem na hora em que eu distraída me preparava para sair feliz e arrogante, derrubou toda a minha vaidade arrastou-me por uns metros e após a surpresa e susto, larguei o corpo afundei, e quase sem folego nadei até a praia e a partir daí aprendi a respeitar aquela força, com toda a sua beleza hipnótica e aquele jeito encantador de falsa maciez.
Esse é o mar que amo e respeito.

Léah                                                                                Fim

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Aprendendo a nadar

"O mar quebrando" óleo sobre tela 24x35 cm
Hoje estava lembrando de quando aprendi a nadar, apesar de morar perto do mar quando ia à praia ficava só na beirada me molhava e ia para o sol, me molhava de novo e lá ia eu tomar banho de sol. Não sabia nadar, e não enfrentava ondas nem pequenas. 
Levava as crianças pela manhã e ficava cuidando pela segurança deles, e temia muito que se afogassem. Nesta época morávamos numa casa com um quintal razoável e resolvemos montar uma pequena piscina, ela tinha o formato de um piano de cauda, sendo que maior uns dois metros! Mas, mesmo assim meu medo de que se afogassem quando eu não os estivesse olhando permanecia. 
Surgiu um arrependimento de fazê-la  bem maior que seu tamanho, mas sempre existe um remédio para os erros, e o remédio foi matriculá-los nas aulas de natação infantil de um clube, que ficava em meu bairro. No clube  além da piscina infantil, a de adulto era olímpica, e linda, dava muita vontade de entrar.
Ficava apreciando as crianças na aula e achava que devia ser fácil aprender a nadar, ledo engano! Comentei com as mães que ali ficavam como eu, que adoraria   entrar naquele piscinão e aprender também, e descobri que todas compartilhavam do mesmo desejo. Até que uma delas a mais extrovertida falou com o instrutor do clube, que falou com o presidente, que também era diretor, dono, e um camarada alegre e legal, assim sendo abriu inscrição para adultos, isto é para as mães ou pais que quisessem. Entrei numa turma no mesmo horário das crianças, e meus filhos achavam divertido ver a mamãe aprendendo a nadar, sendo que eles aprenderam antes de mim!!
Primeiro aprender a afundar a cabeça na água, abrir os olhos lá em baixo sem respirar pelo nariz, subir encher os pulmões de ar, e tudo de novo, e de novo, era um horror, já estava maldizendo a ideia que tive de querer tudo aquilo.
Como o número de mães aprendizes era grande, eu evitava fazer a lição, achando que o instrutor não notava, mas ele era atento como um lince, e resolveu se dedicar a me fazer aprender, ficou perto de mim afundou minha cabeça na água, uma, duas, três vezes,  eu achava que numa dessas ia morrer! No nado cachorrinho me fazia repetir até ficar ótimo, e nunca estava bom, ele devia me odiar, pensava eu, e assim foi peito, costas, mergulhos... Aí eu já estava me amando, me sentindo a tal, e recebia um olharzinho elogioso do rígido professor e a frase. "--É está indo bem, mas pode melhorar--", enquanto eu pensava vá cismar com outra, larga do meu pé...
Aprendi as modalidades exceto borboleta, tive uma inflamação de ouvido que me tirou a vontade de voltar, fiquei mesmo com a piscininha “piano de cauda” até ficar boa. Na mesma época vendemos a casa, fomos para outro bairro mais longe do mar  e mais perto do trabalho do marido, e melhores escolas para os filhos.
Mas a experiência de aprender a nadar, valeu à pena, lá fiz grandes amizades que duram até hoje, e nadei no mar, quando voltei a morar perto dele.
É a vida com situações próprias para cada ciclo, idade e tempo, esse deixou saudades foi divertida aquela época para nós.                                                                                       Léah 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

INFÂNCIA DOCE

aquarela em papel Moulin du Roy "rosas sempre rosas

A vida corria solta naquele canto do mundo, podia-se respirar,
 e nos dias de sol andava pisando em cascalhos e em secos galhos
até chegar na estrada estreita que seguia até a cancela, e depois o mar.
e lá vinha o trem com seu resfolegar de pão sim, bolacha não, assim sem parar,
contar os vagões e correr mais que o trem, pernas para voar
E quando cansava se estender na areia quente do mar
chutar ondas e não se importar de molhar a roupa
inventar canções,  poder cantar até ficar rouca.
Como era bom aquele lugar!
Um caminhão, malas de roupas, moveis, colchões,
de repente tudo ficou tão longe muito barulho
tudo esquecido, perdidas paixões
Vida comprida estreita, sem sabor naquele lugar sem ar
Chão duro, casas trancadas, grades, sem trem, longe do mar.
Praças fechadas é proibido entrar, como viver como sonhar?
Gostava tanto do outro lugar, liberdade, tudo aberto
Silencio nas noites, nada de tiros, balas só as de chupar,
Como era feio aquele lugar.
Nada fazer, já não se pode brincar, rir, gargalhar
molhar a roupa no mar, ou cantar até ficar rouca.
Apenas lembrar, chorar e como o trem resfolegar
Lá era bom, aqui não...Até cansar.
                                   Léah



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Amiga boa de se encontrar...

óleo sobre tela -"Caminho verde"

Lembro bem dos momentos que passei quando fazia minha formação na Escola de Belas Artes e ontem encontrei por acaso uma grande amiga com a qual me diverti muito na época,  e que de repente sumiu do meu contato de forma misteriosa, ela muito bonita era sempre escolhida pelos colegas para ser retratada, e desejada por eles o que instigava sua vaidade. Em mais de um período tivemos como disciplina historia da arte, e o professor e essa minha amiga se apaixonaram, mas mantinham em segredo absoluto aquela paixão,  ninguém sabia! Embora nossa amizade fosse bem forte, ela nunca me confidenciou sobre quem era “seu grande amor”, era como se referia a ele, mas não dizia seu nome, e eu nunca a via junto com ninguém, pensava ser uma invenção, um desejo de ser amada de verdade não só por sua beleza física, e eu com receio de magoá-la no seu desejo de ter um amor sonhado, não perguntava detalhes.
 Ele, o professor Ari, (codinome), era muito querido pelos alunos, na sala de aula, comentava sobre sua atividade política de estudante nas ruas e na UNE, contra o regime militar que se instalou no Brasil e como se safou das mãos de ferro dos militares, eu ficava impressionada com os casos contados e dos amigos que foram presos com ele e que nunca mais viu. Minha amiga “Maria” (codinome) sempre chorava discretamente quando ouvíamos essas historias .
Percebíamos, por várias situações que o Reitor e Ari tinham uma diferença qualquer, que só agora sei qual, o Reitor teve como pai um coronel radical. Eram portanto antagônicos em seus ideais políticos.
 O professor Ari tinha quatorze anos mais que Maria, sei que não por isso eles fizeram segredo e sim por ser intolerável pela faculdade namoro entre professores e alunos, e ainda o Reitor como pedra em seus sapatos.
Foi maravilhoso fomos para a praça de comida no shopping onde nos encontramos para contar nossos babados em dívida há mais de uns trinta e muitos anos, ela está muito bonita ainda apesar dos sessenta e três anos, e ele setenta e sete, mostrou-me fotos deles e dos dois filhos já homens. Aí sim reconheci seu marido, o professor Ari! Quando ela sumiu da faculdade foi para se casarem. E ele continuou mantendo segredo por medo de mais perseguição por parte do Reitor se a estoria viesse a tona.
No fim de nosso longo encontro, após marcarmos novos e próximos em minha casa e na dela, brinquei com ela:
-Maria vou te contar um segredo, se você divulgar serei obrigada a te matar, falei muito seria, só vou te contar porque sei   que você sabe guardar.
- Sei? Não, não sei que, horror! Não quero saber,
- Cale-se Maria preciso contar, és ou não minha amiga? Eu também tenho um segredo.  É que sou espiã internacional.  Passados uns segundos de silêncio, Maria me olhando até que caiu a ficha e rimos muito.
-Maria vai guardar segredo assim lá em Brasília, mas cuidado com o Juiz Mouro, rsrsrs !!
                                                       fim.

Léah

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Denúncia


desenho crayon sobre cartão
A denúncia
Uma grande mesa com tampo de granito, que antes ficava na cozinha, agora era sua e estava bem instalada com uma confortável cadeira, onde ele se sentava todos os dias e despejava no teclado tudo que estava guardado em sua mente fértil. Uma poltrona que ganhara de seu filho num dia dos pais, e que já estava fazendo seu décimo aniversário, mas   sua cuidadosa esposa forrou-a com uma capa de um tecido grosso azul –marinho, almofadas de um azul mais claro e verde abacate, ficou parecendo nova em folha, dizia ele.
Seu olhar vagava pela janela, a paisagem que desfrutava da janela de seu escritório, era de um barranco cheio de flores silvestres, brancas, amarelas e vermelhas, mais atrás um muro alto escondia uma casa, da qual ele só via o telhado e ouvia as vozes, ora de homem, ora de crianças, ou feminina.
Aquela pequena visão despertava a curiosidade de Jaime que ficava imaginando como seriam e como viviam aquelas pessoas, tão barulhentas e na maioria os sons eram de brigas, choros e ameaças da voz masculina, eram cada dia mais frequentes, a ponto de atrapalharem sua concentração. Neste caso ele fechava a janela, colocava uma música clássica para tocar e tudo voltava ao normal.
Era segunda- feira quatro horas da tarde, Matilde, sua mulher, veio com o cafezinho que acabara de coar, e colocou na mesa para ele, sentou-se na poltrona e ficou ouvindo a música de Beethoven, enquanto ele concentrado, batucava no teclado talvez uma nova crônica ou outra história, a Ode to Joy já quase no fim, ambos saltaram de seus assentos, ao ouvirem o grito vindo da casa de trás do barranco, um grito de mulher, uma espécie de urro masculino, e logo depois um profundo silêncio. Jaime desligou o som, e ambos ficaram preocupados prestando atenção, mas nada mais se ouviu. Dia seguinte Jaime e Matilde saíram para caminhar, mas a intenção era passarem em frente à casa do barranco. Antes ele olhara o mapa do bairro localizou sua rua, e a que ficava justamente atrás do barranco, fez mentalmente o caminho que iriam percorrer e foram, era uma pequena travessa aladeirada com arvores, terrenos vazios e duas casas apenas uma bem afastada da outra. As duas completamente fechadas ninguém à vista, nem uma criança, nem um cão, ninguém.
-Deve ser a hora, comentou com Matilde, logo mais à tardinha voltamos, essa hora criança está na escola e adultos em seus trabalhos. –
- Acho bom deixarmos isso pra lá, se tivesse acontecido algo grave, escutaríamos a ambulância, ou a polícia com suas sirenes. E o que podemos fazer, não conhecemos as pessoas que moram aqui?
- Se você não quiser não vem, eu virei, quero descobrir o que houve. Deve ter sido algo grave, só nós ouvimos, por causa da distância da outra casa desta rua, que até parece desabitada.
Matilde desistiu, mas Jaime não, todas as tardes vestia seu traje de ginástica, e lá ia ele, sempre o mesmo deserto, rua vazia, um mosqueiro que a cada ia era maior por aquelas bandas, e um mau cheiro de dar nojo.
Naquela manhã Jaime saiu com sua roupa de caminhada, e umas luvas de procedimento, que sua mulher usava na limpeza da casa e as comprava em caixas, escondeu um par nos bolsos, mas sua intenção era outra que não a de caminhar, foi até a casa atrás do barranco, forçou o pequeno portão, pegou uns tijolos que estavam empilhados no quintal levou-os até a janela do que ele achava ser a cozinha da casa e espiou para dentro, o mal cheiro vinha de lá, mas não conseguiu, ver nada de suspeito, apenas moscas, forçou a porta mas ela não se mexeu. O mal cheiro era insuportável por ali. Meio frustrado com sua investigação falha, guardou as luvas, que pretendia jogar fora bem longe dali tomou uma decisão.
Foi até a um telefone público, ligou para a delegacia e deu uma falsa denúncia.
_Preciso que venham na rua tal, número tal, houve um assassinato lá, e a pessoa está trancada morta, dentro da casa, como eu sei? Eu vi, passei por lá e vi, os urubus já estão rondando a casa e as moscas. Não, não é trote. Tá meu nome é João da Silva, onde moro? Perto dali, só estava caminhando por ali, meu endereço? Rua tal, número tal. Sim vou estar lá esperando a polícia, obrigado.
Jaime foi para casa, e correu para seu escritório, abriu a janela de par a par e ficou prestando atenção aos sons, não demorou escutou a sirene da polícia, algumas vozes, algumas marteladas, uns impropérios, palavrões variados, momentos depois o corpo de bombeiros, as sirenes se foram a tarde caiu, a noite chegou e Jaime, de cara colada na TV, esperando alguma nota nada, na manhã seguinte, correu ao jornaleiro, comprou o jornal, e finalmente lá estava a  notícia: “ Homem  encontrado morto, já em estado de decomposição em casa abandonada, na rua tal, número tal, sem identificação, até o momento...
--Como homem! Quem gritou foi a mulher! Matilde, Matilde olhe só a notícia da casa do barranco...—
Jaime não soube de mais nada a respeito do crime, muitos dias e semanas depois, a conclusão para sua incógnita surgiu num noticiário da TV.
Mulher matou amante com duas facadas, abandonou o corpo, trancou a casa e fugiu com os filhos, alega que cansou de tantos mal tratos e aos filhos, o corpo do homem, já em estado avançado de deterioração, foi encontrado graças a uma denúncia anônima por causa do mal cheiro, moscas e urubus...
Matilde olhou para o marido e com um único comentário falou com olhar de aprovação a denúncia anônima tem o nome de Jaime.
Ele sorriu, e disse daí vai sair um romance, minha querida. Desligaram a TV e foram dormir abraçadinhos.
Fim                                                                                                                  Léah













sexta-feira, 30 de junho de 2017

Sonhos

Óleo sobre tela 35 x 15 cm "muro de pedra"
Quero falar de meus sonhos, sonhados.
-  Ora direis, todos os sonhos são sonhados!
Não posso concordar, existe o sonho planejado, o calculado, o perpetrado, tudo depende do tamanho e do quanto ele é ou não lúdico.
- Direis de novo todo sonho é lúdico? Bem, mas não do mesmo tamanho, ou cor existem os coloridos, os em preto e branco, ou somente pretos, calma, calma, vou exemplificar:
Quando muito criança tive o sonho de ser quitandeira, vender abóboras, bananas..., esse era um sonho colorido, que melou, talvez como um melão, quem sabe!
Mais tarde sonhei em ser cantora, esse foi um sonho castrado, por isso canto no banheiro na cozinha, sala quarto e até no quintal, mas era um sonho colorido cheio de brilhos e paetês.
Veio depois o sonho de pintar, e esse foi trabalhado planejado mais colorido que esse não há.
Logo depois, um sonho de amor feliz que começou rosa claro, ficou preto bem escuro,  até empalidecer, descolorir pelas desilusões.
O tempo passou, curou o lanho deixado pela tristeza e outro sonho de amor,
este em tamanho grande, firme que se tornou real, sonhado, não planejado nem calculado, que veio com belas e fulgurantes cores e aqui ficou.
Existe também o sonho tenso, angustiante, que causa medo, e nos tranquilizamos só quando acordamos, este é um pesadelo.
Para falar de meus sonhos levaria muitos dias e páginas, acho melhor não falar, melhor mesmo é poder e continuar a sonhar.

Léah

sábado, 24 de junho de 2017

A vida é bela...


óleo sobre tela 38 x 19 -raios de sol-

Quando abro a janela para renovar o ar, e vejo apenas um pequeno raio de sol timidamente entrando, que ali permanece por pouco tempo, nem dá para esquentar o chão onde brilha. É como certas esperanças que temos e que rapidamente se vão.

O dia hoje amanheceu escuro, com um vento frio e persistente, inconveniente, não trouxe esperanças ou satisfações, derruba jarros, levanta as cortinas, esfria meus braços, enche de folhas o chão.

Tá vai, reconheço que ando implicando até com o vento, e da chuva, nem quero falar...
É melhor acabar com a ranzinzisse e curtir a nesga de sol que apareceu.
Mas estava muito bom pra ser verdade, lá veio uma nuvem sei lá de onde e encobriu meu raiozinho, embora fracote e tão dourado. Poxa, assim não dá para ter bom humor!

Ontem por exemplo – aliás antes de ontem, na quinta-feira – pra situar bem a questão, programei um almocinho com uma amiga antiga – que fique claro, na nossa amizade, não na idade, entenda por favor e não me chame de antiga! Antiga é múmia, eu estou mesmo é envelhecendo, isto porque ainda não morri, então esta é a melhor opção!
Voltando ao assunto, caiu um temporal daqueles, até a parte alta da estrada virou cascata. Nada de almocinho. Mas não tem nada não, pelo celular adiamos para sexta-feira. Pensam que aconteceu? O meteorologista da TV garantiu, com toda sua propriedade, que “NÃO VAI CHOVER”, e a gente tolamente acredita! E aí, lógico, caiu outro temporal, e bem na hora do almoço... Dá pra rir ou ficar bem humorada? Só se fosse masoquista.
Mas, não parou por aí, o interfone tocou e um convite desagradável nos meus ouvidos: reunião de condomínio extra urgente, discutir o aumento da taxa… gr, gr, gr!

Como sou uma boa pessoa – e às vezes uma pessoa boa, vou me divertir com o que tenho de bom, afinal hoje é sábado, o tempo está melhorando (lembra do raio de sol fracote? Voltou).
A vida, afinal, é bela!!!
                                                      Léah


sexta-feira, 16 de junho de 2017

pontilhado e crayon (técnica mista) 'a arvore'

Meu lugar é aqui
Apesar de minha ida relâmpago a Buenos Aires, quando voltei para casa estava com um misto de alívio, frustração, e medo.
Ficamos na casa de meus primos, ela é da Republica Dominicana, ele meu primo com quem ela se casou é espanhol de Vigo, Província de Pontevedra terra de minha mãe.
Casaram –se em São domingos e tiveram um filho, foram então para a Espanha, e há uns três anos vieram para Argentina, propriamente Buenos Aires. O filho, já um lindo rapaz numa viagem à trabalho para Uruguai, sofreu um acidente de carro, quebrou   as pernas, fratura exposta, e várias escoriações inclusive no rosto.
Na época das olimpíadas aqui no Rio passaram na nossa ex- casa, e nossa amizade se aprofundou.
Quando ela nos telefonou ele ia ser operado, ela estava desesperada, como não têm parentes lá, pediram nossa presença. A duras penas venci minha fobia, e lá fomos nós marido e eu, quando desci no aeroporto estava acabada, meu primo veio nos buscar, apesar de nossa insistência em que um táxi resolveria a questão, mas não houve jeito. Dia seguinte fomos ao hospital onde o rapaz estava internado e a cirurgia o tirara do   risco de morte e de ficar com sequelas. Que alívio sentimos...
Aí minha prima se acalmou, mas assim que o viu começou a chorar em desespero, mãe é assim mesmo, a gente quer pegar o sofrimento dos filhos e transferi-los para nós.

Dia seguinte, voltamos ao hospital, minha prima mais conformada. Quando fomos para casa eles nos mostraram o bairro onde moram e insistiram muito para que deixássemos o Brasil e fossemos morar na Argentina, meu marido se entusiasmando com a ideia, mas quando voltamos o meu medo começou a crescer não quero começar de novo. E quando aqui chegamos, eu estava com temerosa de que a ideia vingasse, e aí percebi o quanto amo meu Brasil, mas  mesmo o marido chegou a conclusão de que não temos idade para aventuras, nosso destino agora é ficarmos no nosso canto bem ou mal aqui é nosso lugar. A frustração se deu pelo fato de não podermos ficar mais uns dias, e confortar mais nossos amigos, porque o Henrique tinha compromissos aqui. Mas valeu a pena prestamos nossa solidariedade e um dia voltaremos, aí vou realmente poder dizer que fui a Buenos Aires, mas à passeio, não para morar.  


Fim                                                                                                                                     Léah

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Não tem pão tem futebol

Andei pela rua o dia todo, resolvendo compromissos banco, revisão do carro, supermercado, nem no carro quis ouvir noticiários, uma música relaxante para me livrar do stress do trânsito, alivia.
Quando cheguei em casa eram mais ou menos dezoito horas, e meu marido que trabalha em casa, ouviu o jornal, acompanhou o noticiário da política deu-me a notícia de que o presidente foi absolvido numa votação de 4 a 3, que vergonha, meu Deus!
É do chefe de uma família que vem o exemplo para seus filhos, é através dele que vêm os ensinamentos de caráter, honestidade, educação. Assim sendo a meu ver, é do chefe de uma nação que deve vir o exemplo.
Que tipo de exemplo esse povo tem como parâmetro? Roube, fique à vontade, o presidente rouba, os deputados roubam, os senadores roubam, os ministros, os juízes, todos são perdoados, vamos roubar também.
É essa a mensagem, é essa a ordem?  O que esperar, o que será de nós?
Ainda outro dia escutei o seguinte comentário:
“---Acontece que se ele tiver que sair do poder, quem vai assumir, outro ladrão? E quem assumir será que vai fazer as modificações que ele estava tentando fazer? As mudanças na previdência... “
Não importa, isso não importa, o país está uma merda, o que importa é que os ladrões vão para a cadeia, é o exemplo, a crise vai nos arrasar, mas vamos lutar com hombridade, e os próximos ladrões ficarão com medo, pensarão duas vezes antes de meter a mão gorda no dinheiro do povo da nação, pois saberão que quem rouba é punido. Mas, pelo visto isto é sonho é utopia.
Ainda voltando para casa passei por uma rua cheia de botecos, bares com televisores na porta, um cantor sertanejo na TV de um bar, um jogo de futebol em outra, de outro bar, muitas cadeiras pelas calçadas, cheias de pessoas e garrafas de cervejas nas mesas, e eram apenas dezoito horas. O sinal de transito vermelho, parei abri a janela e apurei os ouvidos, a discussão era futebol, era uma rua de um bairro pobre, fiquei pensando, e o país, e a roubalheira, e o desemprego? Ninguém vê, ninguém sente, ninguém ouve? Estarei eu vivendo noutro planeta, noutra dimensão?
“Será que é assim mesmo, brasileiro é bonzinho perdoa, aguenta, enquanto houver cerveja, futebol e carnaval está tudo bem, deixa pra lá não tem jeito mesmo?”
Que fique claro que não penso assim, estou com vergonha, com lágrimas contidas, com o coração amargurado, só temo pertencer a minoria pensante.

Fim                                                                                          Léah

quinta-feira, 1 de junho de 2017

PODER

desenho à crayon -A janela e a rosa

Como posso deixa-la e partir
Como posso
Como posso esquecer tudo isso
As palmeiras, os sabiás
Como posso
Como posso
Fechar as janelas, expulsar a luz
Deixar a sombra entrar
Deixar as primaveras de flores
Como posso gostar de neve
Se sou feita de sol e mar
Como posso te deixar
Como posso
Sei que não posso.
Como poder te deixar.
É a terra de meus filhos, do meu amor
Foi a terra dos meus sonhos,
E agora esta dor
Da minha gente das praias do futebol
Aqui é a terra do sol
Não posso, sei que não posso
Mesmo sem forças para lutar
Mesmo sem poder respirar
Nesta intoxicante podridão
Sei que aqui é meu lugar,
Sei que não posso,
Não haveria perdão
E aqui eu vou ficar.

Léah

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Mar de marolas

óleo sobre tela 30x30 "mar manso"

Quisera viver numa calmaria, num mar de marolas a me banhar,
Nadar tranquila sem ondas bravias a me arrastar
São desejos, são anseios, por tantas agonias passar
Quero sentar na areia, olhar o claro horizonte,
Sem medo que barcos errantes venham me atacar
Quero um mar calmo, onde eu possa mergulhar.
Não quero ressacas, quero o céu refletido nas aguas mansas
Viver horas felizes com elas criar lembranças
 Será querer muito, serão sonhos impossíveis de se ter?
Mas se sonhar é preciso, para podermos viver!
Só poso esperar que estes sonhos venham numa marola,

Antes que eu vá embora...
                                                                              Léah


sábado, 20 de maio de 2017

Conjecturas

óleo sobre tela 40x30 "vaso branco flores vermelhas"

Não sou uma pessoa que pratica uma religião, tenho muitas crenças e tantas outras descrenças, entretanto isso não me torna uma pessoa de pouca fé em Deus, nesta força Maior, onipresente e onipotente, que  me dá o livre arbítrio de escolher meus caminhos, tomar decisões, mas também a consciência de que terei o resultado e a responsabilidade dessas escolhas. Ele só não me dá o livre arbítrio de escolher o dia e a forma de  quando e como vou morrer, isso é piedosamente Divino...
Continuando no caminho da espiritualidade, fico me perguntando porque uma pessoa que tem a oportunidade de escolher caminhos que a levem ao sucesso, mesmo sem sacrifícios, opta pelo errado e parte para roubar, e quanto mais rouba mais quer roubar, por que esta ganância desmedida sem escrúpulos, sem limites? Rouba tanto que pela idade que tem, não vai ter tempo de vida para desfrutar do quinhão roubado! E além da justiça dos homens, terá a justiça Divina, no seu encalço, esta última não falha.
Alguém descrente me falou: “-Essas pessoas só caem pra cima, igual gato, não têm castigo-“
Bem, eu não acho, eu posso não ver o castigo, embora torça por vê-lo, mas penso que se não me for dado esse poder, continuo acreditando que mesmo que não veja, ele virá, isto não depende de nós mortais, é aí que entra o resultado do caminho que o infrator escolheu. Vai pagar de uma forma ou de outra.
Se eu não tivesse a certeza de que existe um preço a pagar por cada erro que cometemos, seria uma pessoa sinica, não posso pensar que Deus é indiferente e que perdoa todos esses crimes, só pelo fato de um dia eles se arrependerem, acho que tudo tem um grau de avaliação, tudo depende de quantos esse criminoso prejudicou, fez sofrer, matou... Se não tiver tempo de pagar nesta vida, volta para pagar, nasce de novo, e aí não vai poder cair pra cima, como disse meu amigo descrente. São minhas conjecturas, meu modo de pensar sobre a vida, e fé, são minhas certezas, e dúvidas e pelos acontecimentos que estamos atravessando no Brasil, não existe crime sem castigo, grande ou pequeno.
Todos os brasileiros estão sofrendo de uma forma ou de outra, pois não existem inocentes neste mundo, o negócio é lutar e acreditar, com fé de que tudo se resolvera  se Deus quiser e Ele quer.
Fim                                                                                                                               Léah


Aos amigos e amigas que acompanham meu blog
minha ausência se justifica por uma viagem de emergência
que fiz à Buenos Aires, parente doente. Agradeço de coração
a todos os votos de Feliz Dia das mães, e o perdão pela ausência.
Abraços com carinho, Léah

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A falsa generosidade

desenho à crayon e guache- "o caminhãozinho do Wilso"

Wilso comprou um caminhãozinho, carroceria verde, cabine brilhante novo em folha! Com ele Wilso passou a fazer o transporte das suas verduras, que cultivava no sítio, e a desfilar pela cidade todo orgulhoso de sua aquisição, quando saía do caminhãozinho ficava parado do lado de fora, encostado na porta, balançando a chave, para que todos vissem que ele era o dono!
A igreja que ficava a alguns passos de sua chácara, era mais um lugar de exibição, colocava a filharada na carroceria e a mulher, igualmente orgulhosa, na cabine e ia ele para a missa de domingo, que antes nunca frequentava.
Era uma cidade pequena onde havia solidariedade entre os vizinhos, até por uma questão de sobrevivência, mas nem todos eram assim.
Wilso baixinho falastrão que na hora de contar suas vantagens se esticava todo, para se sentir mais alto, nunca ajudara ninguém, e também nunca pedira ajuda, se gabava como se fosse de outra estirpe, e com seu caminhão ficou pior.
Seu vizinho Tonico, dono de uma pequena e modesta chácara, que ficava ao lado do sitio de wilso, correu até lá para ver a grande novidade, o caminhãozinho do Wilso, e se encheu de inveja, voltou para casa amuado, com raiva do mundo, como aquele contador de vantagens conseguiu, aquele caminhão, e ele não! Era só isso que repetia. À noitinha Tonico correu para a tendinha, onde alguns vizinhos se reuniam para tomar uma pinga e contar as novidades, mas todos já sabiam da compra do Wilso, e nem ligaram muito, na tendinha um pequeno aparelho de TV, mostrava o jogo de futebol de um campeonato qualquer, que todos queriam assistir, mas Tonico repetia o refrão, “mas como ele conseguiu, e eu não?”
 - “Sabe-se lá Tonico, vai ver o home tem dinheiro mesmo” - falavam os outros já enjoados da lenga, lenga do invejoso Tonico.
Passaram-se meses e Tonico olhava magoado a exibição de Wilso.
“ _Aquele anão, como é um besta, fica passeando com aquele caminhão como se fosse uma grande coisa, anda tanto com ele, daqui a pouco vai enguiçar, aí é que eu quero ver, quem vai ajudar ele a levar as verduras, eu é que não sou.”-
Uma noite dona Giza, mulher de Tonico, passou mal da pressão, e como era uma noite de chuva, Tonico ficou preocupado, como ele ia levar sua mulher ao hospital lá no centro da cidade, pensou em arrumar a carroça cobrir com a lona e leva-la ao hospital, mas seria um risco ela mal conseguia ficar de pé, que dirá deitar na carroça!
Resolveu, pedir ajuda a Wilso com seu caminhãozinho, bateu na porta da frente, ninguém atendeu, foi na de trás, já desesperado, até que Wilso veio atender com um sorriso estampado na cara, e Tonico com esforço engoliu sua inveja e orgulho e pediu que levasse sua mulher até ao hospital, na cabine sequinha do caminhãozinho, aquele que ele tanto torcia para que enguiçasse.
Claro que Wilso levou-a, foi o tempo todo muito esticado atrás do volante, sem trocar palavra. Enquanto Tonico e Giza iam agarrados no estreito banco da cabine. Ela foi internada, medicada e sobreviveu, mas em cidade pequena tudo se sabe, o que há de bom e de ruim, e todos só comentavam a ajuda de Wilso e a vergonha que Tonico teve que passar, que agora era só elogios ao Wilso e ao caminhãozinho.
Ninguém entendia porque seu Wilso, que nunca fora prestativo, resolvera ajudar Tonico e dona Giza.
Um dia ele explicou, depois de umas pingas, além da conta,  lá na vendinha abriu o verbo.
-“Sabia de todos os comentários de Tonico sobre mim e meu caminhãozinho, e adorei vê-lo precisar e se humilhar, mas gostei muito mais de ser elogiado por todos por eu ter sido generoso, agora sou respeitado.”—
E passou a andar mais esticado ainda, estava se sentindo um gigante, apesar de ter confundido seu ato de mesquinharia, e vingança com bondade. E ser respeitado estava longe de ser verdade, quando todos entenderam a razão de sua falsa generosidade.
Fim                                                                            Léah

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O FILHO HOMEM

desenho crayon e aquarela

Seu Ambrósio e Dona Odete fizeram seis filhas, seu Ambrósio, dono de uma fazenda de gado era rico, bem posto na vida, como diziam lá pelas Minas Gerais, mas teve um sonho desfeito o de ter um filho homem, que se chamasse Ambrósio Ribeirão filho. Ele achava que a culpa desse desgosto era só da mulher, pois ela ficava bem feliz com aquelas meninas, se divertia com todas aquelas Marias, fazendo roupinhas cor de rosa, cor que ele já detestava. E nem ligava para o desgosto dele que se sentia um bendito fruto, no meio daquelas Marias
Todas Marias, as mais velhas Maria Joana e Maria Lúcia eram gêmeas, a terceira Maria Paula, a quarta Maria Antonina, a quinta Maria Amélia, e por último Maria Clara.
Um dia, já com suas Marias moças a ponto de se casarem, seu Ambrósio, teve a brilhante ideia de desafiar o destino, reuniu a família e proclamou: “ - A primeira filha que se casar e a primeira, somente a primeira que me der um neto homem ganhará uma fazenda de presente, mas ele terá de se chamar Ambrósio Ribeirão Neto.
Foi uma algazarra entre a mulherada, um tal de “Eu vou ter esse filho, nada disso quem vai sou eu”, e assim foi até os ânimos se acalmarem e Maria Clara a que tinha a mente mais clara, perguntou: -Pai e se ninguém tiver esse neto, se todas tivermos filhas? –
                     -Não ganham nada, ai esperem eu morrer de desgosto, ora bolas. –
Casou-se Maria Joana que logo tratou de engravidar, a expectativa das outras era grande, a torcida para que não vencesse o desafio era maior ainda. Até que nasceu uma menina, todos festejaram menos Ambrósio e Maria Joana, que ambiciosa, jurou engravidar de novo logo após o resguardo, mas não conseguiu, nunca mais.
E assim foram todas as outras três Maria Lucia, Maria Paula, e Maria Antonina, casando engravidando de meninas e mais meninas, e Ambrósio cada vez mais desesperançado. Eram laços de fitas, saias e babados por todo lado, nada de botas, nada de futebol, ou carrinhos, eram só bonecas. Mas ainda restava Maria Clara que nem falava em namorar ou casar, só gostava de rezar, fugia das diversões, para ir a igreja. 
Um dia, não um belo dia, e sim um dia de espanto e mais um desgosto para Ambrósio e dona Odete, ao descobrirem que Maria Clara que nem tinha namorado, que alguém soubesse, estava gravida!  Aperta daqui, pressiona dali, descobriu-se que o pai era o padre Alexandrino da Silva, homem novo, bonito e recente na paroquia, que se apaixonou por Clarinha, como a chamavam, e que largou a batina e casou com ela. Foram nove meses de torcida para que ela também tivesse uma menina, pois não seria justo, afinal ela fora pecadora, seduzira o padre, mas entre as irmãs segredavam que Alexandrino era realmente lindo!
Finalmente nasceu a criança de Maria Clara e Alexandrino, para regozijo das irmãs, uma linda e rosada menina, que cresceu detestando cor de rosa, laços de fitas e bonecas, gostava mesmo de jogar futebol, jogar pião, andar à cavalo, preferia as brincadeiras com o avô, tornou-se sua neta preferida, para ciúme das outras.
E para surpresa de todos, Clarinha para satisfazer um dos sonhos do pai, batizou sua filha com o nome de Ambrosina Neta Ribeirão da Silva, e o orgulhoso avô nem se lembrava mais da vontade de ter um neto.
Fim                                                                       Léah         

sábado, 22 de abril de 2017

Aniversário do BRASIL

colagem em cartolina

Era para estarmos festejando soltando fogos de artifício, bolos nas praças para o povo, desfiles de estudantes, musicais de orquestras nos parques em todos os estados e cidades desse nosso imenso território brasileiro.
Não temos fogos de artificio, mas temos tiroteios, balas perdidas e vítimas achadas. Bolo só se for a ausência em compromissos, porque nem pão dormido está sobrando. Desfile de estudantes tem, em passeatas pedindo escolas e instrução. Orquestras em musicais, já não temos mais, faltam músicos, instrumentos, às vezes, até os parques...
Cidades e estados falidos, assaltos a qualquer hora, em qualquer lugar, em bancos, lojas, pessoas, nos impostos... Mas temos novidades, doenças quase erradicadas há décadas, surgindo novamente, e já se sabe como se diz para o quase falta tudo! Inclusive hospitais e medicamentos, também não temos.
Nossas esperanças mortas, mortinhas... nossos pés afundados na lama dos políticos e empresários corruptos, que são tantos que dá para se perder a conta.
Este é o Brasil atual, nosso aniversariante, aquele que deveríamos festejar, que não deixo de amar, mas que não tenho como defender.
Não sei qual o antídoto para esse veneno que se chama corrupção.
Acho que o que está fazendo aniversário é a falta de esperança para o BRASIL que achávamos ser o País do futuro, mas que futuro!!!!!!!!!!
Fim                                                                       Léah    

terça-feira, 18 de abril de 2017

O ESCRITÓRIO



óleo sobre tela "40 x 30´= Flores vermelhas

Era mês de abril de 2008 e, apesar de ainda ser verão, o dia estava fresco e escuro.  Paulo sentou-se em frente ao cavalete, pois precisava fechar com chave de ouro os ajustes finais daquele projeto do condomínio, mas sua atenção estava voltada para o passado.  Atravessou seu modesto escritório, abriu a porta que o separava do luxuoso escritório de sua ex-mulher. Era amplo e bem decorado, nisso ela era boa! Uma grande mesa com um belo arranjo de flores sempre vermelhas, e agora murchas, uma mesa digitalizadora, que ela usara apenas duas vezes para seus desenhos gráficos, uma estante de livros, uma linda cadeira vermelha, onde ela gostava de se sentar, como se fosse uma mulher de negócios. Na janela, uma persiana vertical cor de café, combinando com uma poltrona de couro abaixo dela, na parede uma Smart TV, e, sobre uma pequena mesa auxiliar, uma parafernália de materiais que ele ignorava para qual função serviam, tudo isso sobre um grosso tapete de lã de carneiro, que ela venerava!
 Ele lutara durante quatro anos por aquele casamento na tentativa de serem felizes, inutilmente. Carla só pensava em coisas luxuosas, para ela, e extrapolava no orçamento familiar, que era mantido por ele, pois ela conseguira pouquíssimos trabalhos nesses malfadados anos, mas montara um escritório sofisticado, achando que isso a levaria ao sucesso.  Ele voltou para sua sala, mas sua revolta só aumentava, olhou pela janela e a natureza estava como ele, com nuvens escuras e ameaçadoras, precisava esquecer o passado e ir em frente, sair daquela casa.
2º Capitulo
Quando tudo começou era junho do ano de 2007. Os ventos batiam fortes nas janelas, e uma chuva fria anunciava a chegada do inverno, que para ele se estenderia durante muitos meses e até anos, como uma lembrança amarga e gélida.
Naquela manhã saiu de casa dizendo para Carla que seria um dia marcante, pois tinha quase certeza da aprovação de seu projeto, havia vencido a concorrência para a construção de um grande condomínio, o que lhe traria um bom dinheiro e também muito trabalho. Mas ela não comentou nada, ficou olhando para as unhas, sem lhe dar a mínima atenção. Haviam tido uma grande discussão na noite anterior, pois ela queria mudar o piso do escritório que alegava não combinar com o resto da decoração. Paulo se negou a bancar aquela inútil obra, e ela garantiu que a faria de qualquer jeito.
Paulo ficou até mais tarde em reunião, e quando voltou para casa não encontrou sua mulher, sempre a mesma coisa, a mesma chantagem, fugia para a casa da mãe e só voltava se ele fosse lá buscá-la e concordasse com seus desejos. Cansado resolveu mudar o paradigma, tomou banho, comeu alguma coisa e foi dormir.
Dois dias depois, sem que Carla desse notícia, Paulo resolveu voltar para casa mais cedo e dar um ultimato, telefonar para ela e dizer que não ia voltar atrás em sua decisão, não ia fazer-lhe a vontade, gastar mais dinheiro num escritório que nem sequer era usado, preferia gastar numa viagem para os dois, quando acabasse aquele projeto, e talvez além de se divertirem, se acertassem. Passou numa floricultura comprou flores, e resolveu telefonar só quando chegasse em casa.
3 º Capítulo
Estacionou o carro na rua, olhou para cima, a janela do escritório de Carla estava iluminada, puxou pela memória para lembrar se ele havia entrado lá naquela manhã antes de sair de casa e esquecido a luz acesa, e não, não esteve. Lembrou que saiu meio atrasado e não entrou lá. Notou que o carro dela não estava nem na garagem ou fora dela. Será assalto? Olhou em volta a rua como sempre vazia, apenas um carro parado quase em frente ao seu portão. E o dele. Foi até o guarda tudo do jardim e pegou um cano de ferro, abriu a porta da sala com cuidado, subiu as escadas o mais silenciosamente possível e entrou no escritório, vazio, completamente vazio, escutou a voz dela dizendo vai rápido, e uma corrida pela escada, Paulo correu também e ainda ouviu a porta da frente bater e foi atrás e viu um sujeito entrando no carro e saindo como louco, voltou correndo para dentro e ainda conseguiu ver Carla tentando se vestir, estava seminua, no quarto deles.
Onze meses se haviam passado, ele e sua equipe se jogaram no trabalho para vencer o tempo, e ele para esquecer como tudo terminou.  Agora que o divórcio fora homologado, ele precisava se libertar de toda aquela dor e naquela mesma noite, Paulo tomou uma decisão, trabalhou até pela manhã e finalmente encerrou o trabalho.
Agora deixaria a casa a venda numa imobiliária, tiraria um mês de férias, ia fazer a viagem que sempre sonhara, ir à Itália, e lá certamente veria muitos carneiros com suas peles em seus corpos. 
FIM                                                                                                                                                                                            Léah


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cupido Trapalhão

óleo sobre tela 35 x 45 cm "Paisagem outonal"
(este é a primeira tela pintada na nova casa, novo atelie)

Margo não tinha vida amorosa e, muito tímida nesta questão, apesar de ter um lindo rosto e um corpo escultural, nunca encontrara o tal do cupido em seu caminho, nem ao menos escondidinho ou camuflado, nada!! Mas tinha muitas amigas, a principal era sem dúvida Marilu que sempre a aconselhava.
 “¬ Quando você encontrar um cara por quem você se sinta atraída ao invés de esperar que ele resolva falar com você, invista nele, tome a iniciativa, os homens de hoje gostam de mulheres atiradas.” ¬
Um dia encontrou Gabriel numa feira de produtos de beleza, e ambos estavam apreciando um mesmo creme antirrugas, embora nem ele ou ela estivessem precisando. Margo achou Gabriel uma graça e pensou nos conselhos da amiga, e começou a conversar com ele, descobriu muitas afinidades entre os dois, só achou-o muito vaidoso, e pensou que talvez fosse por ele ser dono de um quiosque de maquiagem num shopping da cidade. Em determinado momento da conversa Gabriel perguntou se ela tinha muitas amigas e amigos,
 “¬Sim, tenho mais de vinte¬ “
“¬Mas, são só moças, ou tem rapazes também?”
Ela contou mentalmente, os namorados e irmãos das amigas e respondeu, que eram mais rapazes do que moças.  Ele não teceu mais nenhum comentário, só um sorriso. Trocaram números de telefones e ficaram de se encontrar qualquer dia, qualquer hora.
Margo saiu desiludida achando que sua investida foi uma furada e não deu certo como sempre, voltou sozinha.
Marilu insistiu para que ela ligasse e dissesse que iam num barzinho, e se ele quisesse era só aparecer. Marilu comentou com seu irmão, seu namorado e amigos, que Margo havia convidado um amigo e todos ficaram torcendo para que ele fosse um futuro namorado para Margo, todos menos Júlio irmão de Marilu.
 Gabriel aceitou prontamente o convite e no dia marcado lá estava ele, para espanto de todos.  Com uma calça tão justa que não se podia imaginar como entrou no seu corpo, uma blusa com decote em V, cílios postiços e um brinco pendente em uma das orelhas.
Marilu e Margo meio desconcertadas com a surpresa, assim como todos os que aguardavam um heterossexual a princípio ficaram meio sem ação, Margo pediu licença e foi ao banheiro se debulhar em lágrimas, Marilu foi atrás dela pra consolá-la, os rapazes passado o primeiro momento do choque,  deixaram o barco correr, e a noite transcorreu normalmente, menos para Margo, a pobre da Margo se recompôs voltou para a mesa, mas ficou triste meio encolhida, calada, e com raiva de seu cupido, que achava ser de madeira e já havia sido devorado por cupins.
Júlio irmão de Marilu, gostava de Margo ficara enciumado quando soube que ela havia encontrado alguém, mas ali vendo  a tristeza de Margo e sua ingenuidade por não ter notado a sexualidade de Gabriel logo de cara, sentou-se a seu lado e começou a contar piadas para alegrá-la ele sempre a fazia rir e sempre se insinuava para ela, mas Margo sabia que ele era mais novo que ela,  por isso não achava que daria certo, embora sentisse atração por ele,  procurava vê-lo como um amigo, entretanto naquela noite tudo mudou, Júlio conseguiu arrancá-la, da tristeza, levou-a até em casa e começaram um romance que dura há três  anos, tudo graças a um cupido distraído e trapalhão e a um gay que continuou sendo amigo de todos.                                                                                                            Léah
FIM

  

sábado, 1 de abril de 2017

Viver com Liberdade

óleo sobre tela 30x35 - Muitas flores
Agora a pequena mesa com confortáveis cadeiras ficavam numa parte do jardim, atrás da casa e que me é exclusivo, onde colocamos uma umbrela, e ali como sempre fiz, fui buscar o sol da manhã sentar-me e tomar meu leite com café, biscoitos, iguarias e uma salada de frutas não pode faltar. Claro que nunca estou sozinha nesta empreitada, marido e as três mocinhas nada elegantes, Gigi, Pagú e Natasha, mais do que se deleitarem com nossas companhias elas esperam pelos biscoitos que compartilhamos, quando o ‘banquete’ impróprio para cães é encerrado vem o descanso, se estendem ao sol, rolam e esfregam as costas na calçada com barulhos guturais de prazer. Implicam com as gatinhas no telhado de suas ‘gaiolas’ que dormem ao sol, indiferentes a tudo.
Pelas manhãs o sol agora de outono é a vedete, pois de repente, o tempo vira e chove, e torna a virar, e ele retorna claro como se tivesse tomado um banho de chuva.
São pequenos momentos que para muitos seriam a monotonia, ou até passariam desapercebidos, mas não para nós. Não importa se o lugar é menor, o amor está ali representado enchendo o espaço de simplicidade, ternura e paz, isso é muito importante em nossas vidas.
Lembro de quando estava na outra casa, com grandes espaços, e que tudo pedia sempre muitos braços e mãos, para mantê-los em ordem, que nem sempre conseguia esses ajudantes que se dizem profissionais, mas a realidade era bem outra, isso foi me cansando e gastando minhas energias de uma tal maneira, que os bons momentos ficavam apagados. O melhor horário para mim era a noite após as nove da noite, quando eu sentava na frente de meu cavalete ou do laptop. Meu marido vivia estressado, eu já andava chutando até o vento de tão irritada, pois sabia que os aborrecimentos recomeçariam iguais no dia seguinte.
Adorava o verde de lá, as arvores as flores, o silêncio de lá, mas aqui tenho o verde, flores, silêncio, as arvores não são minhas, mas estão por aqui, não preciso cuidar do gramado, do jardim, do quintal, isso quem faz é o jardineiro do condomínio, tenho vasos de flores, não preciso ter um empregado para me contestar e “sacanear” com pirraças e sabotagens, que vivia procurando uma chance de maltratar os animais e matar as flores. Eu tinta que ficar sempre atenta não preciso de uma empregada morando dentro da minha casa, e acabando com minha privacidade e paciência. A palavra de ordem agora é NÃO PRECISO, levo as cachorras para passear num espaço que não é meu é público, tomam banho no pet, somente uma faxineira é do que preciso. Posso aproveitar meus momentos que agora são muitos e prazerosos.  Alguns amigos acham estranho eu me sentir feliz com menos, isso só depende do grau de superficialidade de cada um, é o que digo para eles.
Estou me sentindo LIVRE e não existe felicidade sem liberdade de ação e paz.

FIM                                                                                                                           Léah

terça-feira, 21 de março de 2017

A MUDANÇA

desenho à Crayon sobre cartolina

Só faltam umas 10 caixas para destrinchar, nem mesmo quero ler o cartaz pregado em cada uma para saber o que contêm. Estou tentando ignorá-las, estão empilhadas num pequeno quarto para empregada, que não vou ter, e lá não pretendo entrar durante todo esse mês.
 Como sou alérgica a odores químicos, tive que esperar a tinta das paredes perderem todo aquele cheiro, e o da dedetização, troquei as janelas por estarem ruins, enquanto isso o eletricista foi para a casa ainda vazia, instalar lâmpadas, lustres, internet. Aí chegou a minha vez, casa iluminada só faltava limpar, vassouras, baldes, rodo, sabão. Mas, tenho sorte recebi ajuda de minha amiga Beth, minha ex-empregada, e marido nos lugares mais difíceis e serviço mais pesado, quem mandou ser o sexo forte, rzrzrz, coitadinho, ficou muito cansado, mas com boa vontade e feliz.
Chegou a mudança, ‘como não aguentávamos mais nem um gato pelo rabo’, demos gorjeta aos carregadores para armarem armários e pendurarem os da cozinha, colocarem nos lugares geladeira fogão, freezer e outras coisinhas e nossa amada caminha, eram homens com braços da largura de minha coxa, tudo para eles parecia leve.  
 Foram dias de verdadeira academia, empurra, puxa, dobra desdobra, desembrulha, abre caixas desarruma tudo que levei meses embrulhando, deixei tanta coisa pra trás como se junta tanta tralha durante a vida?   LOUCURA TOTAL!!!
À noite, a primeira na casa nova, tive que tomar um relaxante muscular, nossa refeição foi  pizza e coca cola, leite gelado, biscoitos, café, pois não tínhamos  pernas para andar a qualquer lugar que vendesse comida, o telefone foi meu garçom.
Meu ateliê arrumadinho, o escritório do Henrique e nosso quarto também, na cozinha falta ainda muita coisa para encontrar o lugar certo, o quarto dos filhos eles mesmos estão dando jeito, a sala agora é bem menor que a anterior, e estou amando.  As minhas filhotas caninas, não se cansam de cheirar, e transitar por todos os cômodos, atrás da casa nos fundos temos uma área de uns 5m x 6m fechada com uma mureta onde vou pendurar vasos de plantas, ali vai ser também o canil. Estou adorando esta fase de decorar, o que atrapalha é minha bendita coluna, que não coopera, e tenho que ir devagar.
O lugar é silencioso, e como sou meio fechada com relação a vizinhos, está tudo indo como gosto, livrei-me daquele ajudante que me enlouquecia, do sindico insuportável, e de uma casa gigantesca. Esta não é pequena, mas é menor e não tem um quintal de mais de mil metros.

Estou me sentindo livre, com tempo para pintar, ler, andar, sem todos aqueles encargos e gente para comandar, coisa que detesto, só gosto de mandar em mim mesma, enfim estou FELIZ, assim com todas as letras maiúsculas, MUITO, MUITO FELIZZZZZZ..

quarta-feira, 8 de março de 2017

Conselhos do Mar

sol,mar, e gaivotas- óleo sobre tela (pintado em 2016)

 Olhei mais uma vez tudo aquilo, as caixas empilhadas encostadas no canto da grande sala esperando o dia de serem levadas para outro lugar, outra moradia. De repente, me senti tão cansada, e uma nostalgia se apossou de mim. Fiquei analisando todos os momentos de entusiasmo, todos as ideias e criatividade para decorar aquela casa que agora ia deixando para trás, o sol se esgueirando em fragmentos por entre as copas das árvores, faziam desenhos no chão passando pela janela, era um bom tema para uma tela, que eu memorizei para um dia quem sabe pintar. Já era parte de meu ser ver paisagens, motivos e cenas, que ninguém via, acho eu, em todos os lugares e circunstâncias. Lembranças vinham e iam até minha mente dos 16 anos em que aqui vivi, senti saudades de alguns e alivio por outros, mas todos foram momentos nossos, foram parte de minha vida, de nossas vidas.
O dia da mudança para a nova casa estava marcado, e eu estava ficando angustiada não queria pensar no passo que demos pois foi tão pensado, estudado e discutido, que não cabia medos e duvidas, agora era pra valer, era um novo começo. Entrei no carro com a intenção de buscar o nosso almoço, meu e do Henrique, antes resolvi estacionar na praia e ter uma conversa com o mar. Lá estava o sol lançando seus raios sobre as ondas colorindo-as de amarelo, nunca vou deixar de ver temas em tudo que olho, mas não queria pensar em telas nem tintas, estava apreensiva, com medo. Sentei-me na areia morna, imaginei-me mergulhando naquelas águas profundas, sentindo as ondas me levando para um lugar de paz e silêncio, e uma enorme calma se apossou de mim, foi como num transe que serviu para me acalmar.
A sala já estava fora do alcance do sol, nos sentamos no balcão da cozinha e degustamos nosso almoço, comprado num self servisse, pois meu fogão estava embalado numa caixa. e só me restava um portátil de uma só boca para fazermos um café.
A paz e a confiança voltaram a reinar em meu coração, é bom conversar com o mar ele é um ótimo conselheiro, agora foi dado o sinal da partida.

 FIM                                                                                                                                                Léah