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sexta-feira, 16 de junho de 2017

pontilhado e crayon (técnica mista) 'a arvore'

Meu lugar é aqui
Apesar de minha ida relâmpago a Buenos Aires, quando voltei para casa estava com um misto de alívio, frustração, e medo.
Ficamos na casa de meus primos, ela é da Republica Dominicana, ele meu primo com quem ela se casou é espanhol de Vigo, Província de Pontevedra terra de minha mãe.
Casaram –se em São domingos e tiveram um filho, foram então para a Espanha, e há uns três anos vieram para Argentina, propriamente Buenos Aires. O filho, já um lindo rapaz numa viagem à trabalho para Uruguai, sofreu um acidente de carro, quebrou   as pernas, fratura exposta, e várias escoriações inclusive no rosto.
Na época das olimpíadas aqui no Rio passaram na nossa ex- casa, e nossa amizade se aprofundou.
Quando ela nos telefonou ele ia ser operado, ela estava desesperada, como não têm parentes lá, pediram nossa presença. A duras penas venci minha fobia, e lá fomos nós marido e eu, quando desci no aeroporto estava acabada, meu primo veio nos buscar, apesar de nossa insistência em que um táxi resolveria a questão, mas não houve jeito. Dia seguinte fomos ao hospital onde o rapaz estava internado e a cirurgia o tirara do   risco de morte e de ficar com sequelas. Que alívio sentimos...
Aí minha prima se acalmou, mas assim que o viu começou a chorar em desespero, mãe é assim mesmo, a gente quer pegar o sofrimento dos filhos e transferi-los para nós.

Dia seguinte, voltamos ao hospital, minha prima mais conformada. Quando fomos para casa eles nos mostraram o bairro onde moram e insistiram muito para que deixássemos o Brasil e fossemos morar na Argentina, meu marido se entusiasmando com a ideia, mas quando voltamos o meu medo começou a crescer não quero começar de novo. E quando aqui chegamos, eu estava com temerosa de que a ideia vingasse, e aí percebi o quanto amo meu Brasil, mas  mesmo o marido chegou a conclusão de que não temos idade para aventuras, nosso destino agora é ficarmos no nosso canto bem ou mal aqui é nosso lugar. A frustração se deu pelo fato de não podermos ficar mais uns dias, e confortar mais nossos amigos, porque o Henrique tinha compromissos aqui. Mas valeu a pena prestamos nossa solidariedade e um dia voltaremos, aí vou realmente poder dizer que fui a Buenos Aires, mas à passeio, não para morar.  


Fim                                                                                                                                     Léah

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Não tem pão tem futebol

Andei pela rua o dia todo, resolvendo compromissos banco, revisão do carro, supermercado, nem no carro quis ouvir noticiários, uma música relaxante para me livrar do stress do trânsito, alivia.
Quando cheguei em casa eram mais ou menos dezoito horas, e meu marido que trabalha em casa, ouviu o jornal, acompanhou o noticiário da política deu-me a notícia de que o presidente foi absolvido numa votação de 4 a 3, que vergonha, meu Deus!
É do chefe de uma família que vem o exemplo para seus filhos, é através dele que vêm os ensinamentos de caráter, honestidade, educação. Assim sendo a meu ver, é do chefe de uma nação que deve vir o exemplo.
Que tipo de exemplo esse povo tem como parâmetro? Roube, fique à vontade, o presidente rouba, os deputados roubam, os senadores roubam, os ministros, os juízes, todos são perdoados, vamos roubar também.
É essa a mensagem, é essa a ordem?  O que esperar, o que será de nós?
Ainda outro dia escutei o seguinte comentário:
“---Acontece que se ele tiver que sair do poder, quem vai assumir, outro ladrão? E quem assumir será que vai fazer as modificações que ele estava tentando fazer? As mudanças na previdência... “
Não importa, isso não importa, o país está uma merda, o que importa é que os ladrões vão para a cadeia, é o exemplo, a crise vai nos arrasar, mas vamos lutar com hombridade, e os próximos ladrões ficarão com medo, pensarão duas vezes antes de meter a mão gorda no dinheiro do povo da nação, pois saberão que quem rouba é punido. Mas, pelo visto isto é sonho é utopia.
Ainda voltando para casa passei por uma rua cheia de botecos, bares com televisores na porta, um cantor sertanejo na TV de um bar, um jogo de futebol em outra, de outro bar, muitas cadeiras pelas calçadas, cheias de pessoas e garrafas de cervejas nas mesas, e eram apenas dezoito horas. O sinal de transito vermelho, parei abri a janela e apurei os ouvidos, a discussão era futebol, era uma rua de um bairro pobre, fiquei pensando, e o país, e a roubalheira, e o desemprego? Ninguém vê, ninguém sente, ninguém ouve? Estarei eu vivendo noutro planeta, noutra dimensão?
“Será que é assim mesmo, brasileiro é bonzinho perdoa, aguenta, enquanto houver cerveja, futebol e carnaval está tudo bem, deixa pra lá não tem jeito mesmo?”
Que fique claro que não penso assim, estou com vergonha, com lágrimas contidas, com o coração amargurado, só temo pertencer a minoria pensante.

Fim                                                                                          Léah

quinta-feira, 1 de junho de 2017

PODER

desenho à crayon -A janela e a rosa

Como posso deixa-la e partir
Como posso
Como posso esquecer tudo isso
As palmeiras, os sabiás
Como posso
Como posso
Fechar as janelas, expulsar a luz
Deixar a sombra entrar
Deixar as primaveras de flores
Como posso gostar de neve
Se sou feita de sol e mar
Como posso te deixar
Como posso
Sei que não posso.
Como poder te deixar.
É a terra de meus filhos, do meu amor
Foi a terra dos meus sonhos,
E agora esta dor
Da minha gente das praias do futebol
Aqui é a terra do sol
Não posso, sei que não posso
Mesmo sem forças para lutar
Mesmo sem poder respirar
Nesta intoxicante podridão
Sei que aqui é meu lugar,
Sei que não posso,
Não haveria perdão
E aqui eu vou ficar.

Léah

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Mar de marolas

óleo sobre tela 30x30 "mar manso"

Quisera viver numa calmaria, num mar de marolas a me banhar,
Nadar tranquila sem ondas bravias a me arrastar
São desejos, são anseios, por tantas agonias passar
Quero sentar na areia, olhar o claro horizonte,
Sem medo que barcos errantes venham me atacar
Quero um mar calmo, onde eu possa mergulhar.
Não quero ressacas, quero o céu refletido nas aguas mansas
Viver horas felizes com elas criar lembranças
 Será querer muito, serão sonhos impossíveis de se ter?
Mas se sonhar é preciso, para podermos viver!
Só poso esperar que estes sonhos venham numa marola,

Antes que eu vá embora...
                                                                              Léah


sábado, 20 de maio de 2017

Conjecturas

óleo sobre tela 40x30 "vaso branco flores vermelhas"

Não sou uma pessoa que pratica uma religião, tenho muitas crenças e tantas outras descrenças, entretanto isso não me torna uma pessoa de pouca fé em Deus, nesta força Maior, onipresente e onipotente, que  me dá o livre arbítrio de escolher meus caminhos, tomar decisões, mas também a consciência de que terei o resultado e a responsabilidade dessas escolhas. Ele só não me dá o livre arbítrio de escolher o dia e a forma de  quando e como vou morrer, isso é piedosamente Divino...
Continuando no caminho da espiritualidade, fico me perguntando porque uma pessoa que tem a oportunidade de escolher caminhos que a levem ao sucesso, mesmo sem sacrifícios, opta pelo errado e parte para roubar, e quanto mais rouba mais quer roubar, por que esta ganância desmedida sem escrúpulos, sem limites? Rouba tanto que pela idade que tem, não vai ter tempo de vida para desfrutar do quinhão roubado! E além da justiça dos homens, terá a justiça Divina, no seu encalço, esta última não falha.
Alguém descrente me falou: “-Essas pessoas só caem pra cima, igual gato, não têm castigo-“
Bem, eu não acho, eu posso não ver o castigo, embora torça por vê-lo, mas penso que se não me for dado esse poder, continuo acreditando que mesmo que não veja, ele virá, isto não depende de nós mortais, é aí que entra o resultado do caminho que o infrator escolheu. Vai pagar de uma forma ou de outra.
Se eu não tivesse a certeza de que existe um preço a pagar por cada erro que cometemos, seria uma pessoa sinica, não posso pensar que Deus é indiferente e que perdoa todos esses crimes, só pelo fato de um dia eles se arrependerem, acho que tudo tem um grau de avaliação, tudo depende de quantos esse criminoso prejudicou, fez sofrer, matou... Se não tiver tempo de pagar nesta vida, volta para pagar, nasce de novo, e aí não vai poder cair pra cima, como disse meu amigo descrente. São minhas conjecturas, meu modo de pensar sobre a vida, e fé, são minhas certezas, e dúvidas e pelos acontecimentos que estamos atravessando no Brasil, não existe crime sem castigo, grande ou pequeno.
Todos os brasileiros estão sofrendo de uma forma ou de outra, pois não existem inocentes neste mundo, o negócio é lutar e acreditar, com fé de que tudo se resolvera  se Deus quiser e Ele quer.
Fim                                                                                                                               Léah


Aos amigos e amigas que acompanham meu blog
minha ausência se justifica por uma viagem de emergência
que fiz à Buenos Aires, parente doente. Agradeço de coração
a todos os votos de Feliz Dia das mães, e o perdão pela ausência.
Abraços com carinho, Léah

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A falsa generosidade

desenho à crayon e guache- "o caminhãozinho do Wilso"

Wilso comprou um caminhãozinho, carroceria verde, cabine brilhante novo em folha! Com ele Wilso passou a fazer o transporte das suas verduras, que cultivava no sítio, e a desfilar pela cidade todo orgulhoso de sua aquisição, quando saía do caminhãozinho ficava parado do lado de fora, encostado na porta, balançando a chave, para que todos vissem que ele era o dono!
A igreja que ficava a alguns passos de sua chácara, era mais um lugar de exibição, colocava a filharada na carroceria e a mulher, igualmente orgulhosa, na cabine e ia ele para a missa de domingo, que antes nunca frequentava.
Era uma cidade pequena onde havia solidariedade entre os vizinhos, até por uma questão de sobrevivência, mas nem todos eram assim.
Wilso baixinho falastrão que na hora de contar suas vantagens se esticava todo, para se sentir mais alto, nunca ajudara ninguém, e também nunca pedira ajuda, se gabava como se fosse de outra estirpe, e com seu caminhão ficou pior.
Seu vizinho Tonico, dono de uma pequena e modesta chácara, que ficava ao lado do sitio de wilso, correu até lá para ver a grande novidade, o caminhãozinho do Wilso, e se encheu de inveja, voltou para casa amuado, com raiva do mundo, como aquele contador de vantagens conseguiu, aquele caminhão, e ele não! Era só isso que repetia. À noitinha Tonico correu para a tendinha, onde alguns vizinhos se reuniam para tomar uma pinga e contar as novidades, mas todos já sabiam da compra do Wilso, e nem ligaram muito, na tendinha um pequeno aparelho de TV, mostrava o jogo de futebol de um campeonato qualquer, que todos queriam assistir, mas Tonico repetia o refrão, “mas como ele conseguiu, e eu não?”
 - “Sabe-se lá Tonico, vai ver o home tem dinheiro mesmo” - falavam os outros já enjoados da lenga, lenga do invejoso Tonico.
Passaram-se meses e Tonico olhava magoado a exibição de Wilso.
“ _Aquele anão, como é um besta, fica passeando com aquele caminhão como se fosse uma grande coisa, anda tanto com ele, daqui a pouco vai enguiçar, aí é que eu quero ver, quem vai ajudar ele a levar as verduras, eu é que não sou.”-
Uma noite dona Giza, mulher de Tonico, passou mal da pressão, e como era uma noite de chuva, Tonico ficou preocupado, como ele ia levar sua mulher ao hospital lá no centro da cidade, pensou em arrumar a carroça cobrir com a lona e leva-la ao hospital, mas seria um risco ela mal conseguia ficar de pé, que dirá deitar na carroça!
Resolveu, pedir ajuda a Wilso com seu caminhãozinho, bateu na porta da frente, ninguém atendeu, foi na de trás, já desesperado, até que Wilso veio atender com um sorriso estampado na cara, e Tonico com esforço engoliu sua inveja e orgulho e pediu que levasse sua mulher até ao hospital, na cabine sequinha do caminhãozinho, aquele que ele tanto torcia para que enguiçasse.
Claro que Wilso levou-a, foi o tempo todo muito esticado atrás do volante, sem trocar palavra. Enquanto Tonico e Giza iam agarrados no estreito banco da cabine. Ela foi internada, medicada e sobreviveu, mas em cidade pequena tudo se sabe, o que há de bom e de ruim, e todos só comentavam a ajuda de Wilso e a vergonha que Tonico teve que passar, que agora era só elogios ao Wilso e ao caminhãozinho.
Ninguém entendia porque seu Wilso, que nunca fora prestativo, resolvera ajudar Tonico e dona Giza.
Um dia ele explicou, depois de umas pingas, além da conta,  lá na vendinha abriu o verbo.
-“Sabia de todos os comentários de Tonico sobre mim e meu caminhãozinho, e adorei vê-lo precisar e se humilhar, mas gostei muito mais de ser elogiado por todos por eu ter sido generoso, agora sou respeitado.”—
E passou a andar mais esticado ainda, estava se sentindo um gigante, apesar de ter confundido seu ato de mesquinharia, e vingança com bondade. E ser respeitado estava longe de ser verdade, quando todos entenderam a razão de sua falsa generosidade.
Fim                                                                            Léah

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O FILHO HOMEM

desenho crayon e aquarela

Seu Ambrósio e Dona Odete fizeram seis filhas, seu Ambrósio, dono de uma fazenda de gado era rico, bem posto na vida, como diziam lá pelas Minas Gerais, mas teve um sonho desfeito o de ter um filho homem, que se chamasse Ambrósio Ribeirão filho. Ele achava que a culpa desse desgosto era só da mulher, pois ela ficava bem feliz com aquelas meninas, se divertia com todas aquelas Marias, fazendo roupinhas cor de rosa, cor que ele já detestava. E nem ligava para o desgosto dele que se sentia um bendito fruto, no meio daquelas Marias
Todas Marias, as mais velhas Maria Joana e Maria Lúcia eram gêmeas, a terceira Maria Paula, a quarta Maria Antonina, a quinta Maria Amélia, e por último Maria Clara.
Um dia, já com suas Marias moças a ponto de se casarem, seu Ambrósio, teve a brilhante ideia de desafiar o destino, reuniu a família e proclamou: “ - A primeira filha que se casar e a primeira, somente a primeira que me der um neto homem ganhará uma fazenda de presente, mas ele terá de se chamar Ambrósio Ribeirão Neto.
Foi uma algazarra entre a mulherada, um tal de “Eu vou ter esse filho, nada disso quem vai sou eu”, e assim foi até os ânimos se acalmarem e Maria Clara a que tinha a mente mais clara, perguntou: -Pai e se ninguém tiver esse neto, se todas tivermos filhas? –
                     -Não ganham nada, ai esperem eu morrer de desgosto, ora bolas. –
Casou-se Maria Joana que logo tratou de engravidar, a expectativa das outras era grande, a torcida para que não vencesse o desafio era maior ainda. Até que nasceu uma menina, todos festejaram menos Ambrósio e Maria Joana, que ambiciosa, jurou engravidar de novo logo após o resguardo, mas não conseguiu, nunca mais.
E assim foram todas as outras três Maria Lucia, Maria Paula, e Maria Antonina, casando engravidando de meninas e mais meninas, e Ambrósio cada vez mais desesperançado. Eram laços de fitas, saias e babados por todo lado, nada de botas, nada de futebol, ou carrinhos, eram só bonecas. Mas ainda restava Maria Clara que nem falava em namorar ou casar, só gostava de rezar, fugia das diversões, para ir a igreja. 
Um dia, não um belo dia, e sim um dia de espanto e mais um desgosto para Ambrósio e dona Odete, ao descobrirem que Maria Clara que nem tinha namorado, que alguém soubesse, estava gravida!  Aperta daqui, pressiona dali, descobriu-se que o pai era o padre Alexandrino da Silva, homem novo, bonito e recente na paroquia, que se apaixonou por Clarinha, como a chamavam, e que largou a batina e casou com ela. Foram nove meses de torcida para que ela também tivesse uma menina, pois não seria justo, afinal ela fora pecadora, seduzira o padre, mas entre as irmãs segredavam que Alexandrino era realmente lindo!
Finalmente nasceu a criança de Maria Clara e Alexandrino, para regozijo das irmãs, uma linda e rosada menina, que cresceu detestando cor de rosa, laços de fitas e bonecas, gostava mesmo de jogar futebol, jogar pião, andar à cavalo, preferia as brincadeiras com o avô, tornou-se sua neta preferida, para ciúme das outras.
E para surpresa de todos, Clarinha para satisfazer um dos sonhos do pai, batizou sua filha com o nome de Ambrosina Neta Ribeirão da Silva, e o orgulhoso avô nem se lembrava mais da vontade de ter um neto.
Fim                                                                       Léah